Para a Ong Hella foi uma honra participar dessa construção coletiva com as munícipes de Praia Grande. Abordar a temática da violência contra a mulher pressupõe união de esforços, concentração de estratégias, harmonia entre esferas pública e privada de modo a fomentar uma rede de enfrentamento real e efetiva.

A entidade coube a responsabilidade de abordar questões violentas e segregadoras das quais as mulheres sofrem cotidianamente. Nossa missão, enquanto organização formada por ativistas engajadas, é a trabalhar com acolhimento, apoio e incentivo ao fortalecimento da mulher, a fim de que a mesma consiga êxito na ruptura do ciclo violento, sem JAMAIS JULGAR aquela que ainda não deu esse passo.
Além disso, estamos num processo de expansão de conhecimentos, querendo braços novos que queiram se juntar à nossa causa, abraçando movimentos existentes para juntas criarmos cada vez mais um Brasil justo e com direitos humanos preservados!
A violência contra a mulher já é questão de saúde pública num país doente onde o machismo estrutural predomina, por isso insistimos que essa é uma causa de todas nós.

O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres pelo simples fato de serem mulheres. Morremos pelas consequências nefastas do machismo, por ciúme, posse e pela roupa que vestimos. Eles nos matam pelos locais que frequentamos, pelos lugares que ocupamos e pelas escolhas que fazemos, quando de fato elas nos são permitidas, dentre uma série de “justificativas” rasas que a sociedade patriarcal criou para respaldar as ações violentas.

O feminicídio é um problema real que exige providências imediatas e conhecer essa qualificadora é a primeira delas. Matar mulheres por misoginia, ódio e desprezo por gênero, caracteriza o crime. Enxergar essas mortes sob a perspectiva de gênero é o primeiro é determinante passo.

Demos enfoque à violência doméstica e sua incidência tão comum, pois a maioria dos feminicídios começam no lar, com as violências em série. Neste cenário, para quem de fato atua em processos envolvendo a violência doméstica, sabe que na Baixada Santista não existe nenhuma vara especializada em violência doméstica e familiar contra a mulher, embora haja previsão na Lei Maria da Penha.

Por essa razão, a exemplo do que a Hella fez em Santos, na audiência pública promovida pela vereadora Audrey Kleys, em agosto de 2018, propomos a vereadora Janaina Ballaris a confecção de um ofício/abaixo assinado endereçado ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo requerendo a instalação de uma Vara especializada também em Praia Grande.

Com sua aceitação, produzimos o documento com objetivo de conquistar uma melhoria para o município, onde diversos juristas atuam, incluindo nossas gestoras jurídicas Bruna Lima e Thaís Perico, que são advogadas.
Para nossa surpresa, alguns presentes na audiência pública se recusaram a assinar o ofício.

Caminhamos pela construção coletiva e novamente agradecemos gentilmente a vereadora Janaina Ballaris pelo convite realizado a nossa instituição, que atua como membra da sociedade civil organizada e comprometida com sua atuação enquanto terceiro setor.

Que nós possamos construir uma sociedade justa para todos, com parcerias importantes e pontuais, estamos abertas para isso desde a nossa fundação!

  • Artigo escrito coletivamente pelas gestoras da Ong Hella