– Artigo escrito por Taís Costa Bento*

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Na primeira parte desta série de texto, lembramos o caso da estudante universitária Remís Carla Costa, assassinada pelo namorado. Remís sofria calada, num relacionamento tóxico e abusivo, até ser vítima de feminicídio. Levando esse triste fato em consideração, o presente texto abrangerá sobre as formas de violência e do ciclo da violência. É importante estarmos atentas a este tema, pois muitas passam ou podem estar passando por isso, sem entenderem o realmente estão vivendo.

De acordo com a Lei Maria da Penha existem cinco formas de violência, todas reconhecidas como uma violação de direitos contra a mulher. Para que fiquem cientes, são elas: violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

É importante ressaltar que independente da forma de violência pela qual a mulher seja exposta, todas são danosas à saúde – tanto física quanto mental. Por isso, não se deve classificar uma ou outra como pior ou melhor, de modo a  não deslegitimar a dor que a mulher possa sentir. Não cabe a nós decidir que uma mulher que só sofreu violência psicológica, por exemplo, esteja em uma “situação melhor”, já que não foi agredida fisicamente.

A dor e o sofrimento que uma mulher possa sentir vai depender de diversos outros fatores, tanto externos quanto internos. Circunstâncias que variam desde sua resiliência, ou seja, capacidade de superar as situações adversas da vida e ser reerguer, bem como de sua rede de apoio, como amigos, familiares e outras pessoas que irão apoiá-la na superação dessa violência.

Sendo assim, vamos às definições, de forma breve e de acordo com o texto do artigo 7º da Lei Maria da Penha. A primeira violência que falaremos, é a física. Ela é definida como qualquer conduta a fim de ofender a integridade ou saúde corporal da mulher, como exemplo, bater, chutar, puxar o cabelo, empurrar, dentre outras formas de agressão física.

Já a violência psicológica, trata-se daquela que tem como objetivo causar dano emocional, destruição da autoestima ou que vise controlar as ações, comportamentos e decisões da mulher. Temos como exemplo as ameaças, xingamentos, isolamento, humilhações, entre outras formas de tentativa de causar danos à saúde psicológica (mental) da mulher.

A violência sexual, como o nome indica, é definida como qualquer conduta que force a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, ou seja, sem consentimento, ocorrendo por meio de intimidação, ameaça ou uso da força.

Completando as formas de violência contra a mulher, temos a Patrimonial e a Moral. A primeira tem relação com os bens materiais e pertences da mulher, sendo a retenção e até mesmo destruição parcial ou total de objetos, documentos pessoais, bens ou qualquer outro pertence da mulher. Enquanto a violência moral é aquela que tem relação com a imagem da mulher, tratando-se das calúnias, difamação ou injúria.

O explicado acima demonstra como as mulheres podem ser tratadas quando vivenciam relacionamentos abusivos, sofrendo uma ou as cinco formas de violência por parte do companheiro. Ainda assim, é preciso entender a dinâmica do relacionamento abusivo.

No próximo artigo, irei explicar como acontece o ciclo da violência. É importante que você acompanhe essa trilogia de textos, para entender se o que vive ou vê a sua amiga vivenciando é parecido com o descrito. Se for, provavelmente é hora de agir.

 

  • A autora é psicóloga e uma das gestoras da ONG Hella