– Artigo escrito por Taís Costa Bento*

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“Ele chegou a morar um tempo conosco, demos muita confiança. Nunca aparentou que agredia, mas ela sofria calada. Era uma mulher com um futuro brilhante”. Este é um trecho do relato do pai da universitária Remís Carla Costa, que foi assassinada aos 24 anos, pelo ex-companheiro, com quem teve um relacionamento abusivo.

A notícia do desaparecimento, seguida pela confirmação da morte da jovem, comoveu as redes sociais por se tratar de mais um, dos muitos casos de violência contra a mulher e feminicídio. Apesar de já ser comum na sociedade brasileira o sofrimento e a morte de mulheres nas mãos de homens, o sentimento de luta e busca por justiça continua fortemente presente. O objetivo é que mulheres como Remís não sejam apenas rostos desconhecidos na multidão. A meta é que passem a ser símbolo de luta pelo combate a crimes como esse.

Muitas vezes essa violência só é notada quando já está escancarada na sociedade com o semblante da morte. O que a maioria de nós não percebe, é que quase sempre ela se inicia de forma discreta, porém persistente, com outras manifestações que vão além da agressão física em si.

No caso de Remís, não havia apenas o ataque físico, mas outras formas de selvageria como o cárcere privado e quebra de itens pessoais da jovem. Indícios de que antes do assassinato, ela havia passado por um relacionamento abusivo com o seu então namorado, Paulo Cesar de Oliveira.

Os relacionamentos abusivos englobam diversas formas de violência, muito presentes no âmbito privado. Agressões que passam desapercebidas para quem está fora do relacionamento, incluindo a família da vítima, como é bem representado na fala citada no início do texto.

As violências psicológica, patrimonial e moral estão inclusas como presentes em muitos relacionamentos abusivos. Elas são consideradas violências silenciosas e invisíveis, pois não deixam sinais palpáveis na mulher. Mesmo sabendo que as marcas psicológicas e financeiras podem causar enorme dor a quem sofre, nem sempre elas são reconhecidas por quem observa a situação de um ângulo externo.

Há um silenciamento dessas outras formas de violência. Ouvimos falar constantemente das agressões físicas e sexuais, mas as demais existem e são abafadas por uma cultura social empenhada em propagar a ideia da mulher como submissa ao homem companheiro, que é “digna de felicidade” apenas enquanto dentro de um relacionamento – independente da realidade em que vive. Essa omissão e propagação de um cultura retrógrada, são apenas alguns dos muitos fatores que auxiliam na manutenção de relacionamentos tóxicos e abusivos para as mulheres.

Nesse ponto não se faz mais debate específico ao caso de Remís, mas sim em nome de todas as mulheres. Em nome daquelas que foram vítimas fatais da violência de gênero. Das que ainda são vítimas e das que estão sujeitas a isso,  pelo simples fato de serem mulheres.

Em homenagem à Remís e a todas as demais mulheres, é merecido discutir esse tema. Levantar o debate como um pedido por justiça e erradicação dessa violência. Falar sobre isso para alertar e prevenir.

 

  • A autora é psicóloga e uma das gestoras da ONG Hella